14 de maio de 2018

Velhos tempos, texto do livro Histórias de Carreiros, de Rogério Corrêa

Texto do livro Histórias de Carreiros, de Rogério Corrêa:

VELHOS TEMPOS

Guiomar Martins Mamede, 88 anos, morador do município de Tupaciguara, contou que sempre morou em fazenda e que antigamente todas as propriedades possuíam carros de boi e todas as mercadorias e transportes eram feitas por eles.
Praticamente todos os fazendeiros tinham boiadas e carros de boi para o seu custeio. Era algo
natural. Se precisasse puxar madeira, cana-de-açúcar, mantimentos, buscar ou levar algo na cidade era transportado por eles. 
O povo mais velho de sua região buscava sal na cidade de Casa Branca, no estado de São Paulo, uma viagem bem longa que gastava vários dias para fazer todo o trajeto de ida e volta. O pai dele chegou a carrear ferragens de carros de boi para fazer a ponte em Itumbiara. Para isso, tinham de ir à Uberaba buscar as chapas de ferro. O carro vinha com a carga pesando em torno de 1500 quilos.
Outro fato que seu Guiomar contou, foi que em outra viagem de seu pai, presenciou um homem morrer, após um acidente envolvendo carros de boi. Naquela época usavam roupas tecidas de algodão, que faziam nas próprias fazendas, e eram muito resistentes. Os carros estavam bem carregados, pesando quase uma tonelada e meia. O carreiro de um dos carros estava logo à frente do seu carro, tocando a boiada, quase encostado na roda esquerda. De repente, a calça do homem enroscou em um dos pregos da roda e o jogou para frente dela, o carro passou por cima do homem e ele morreu em seguida. Aconteceu tão rápido, que não deu tempo nem para ordenar aos bois que parassem a tempo de impedir o sinistro.
Enquanto seu Guiomar dava esse depoimento, chegou um dos filhos dele, e, a conversa prosseguiu. Agora era o filho que narrava o seguinte:
Seu Guiomar tinha solicitado dele, que o levasse à festa de carros de boi de Vazante, para ele relembrar os velhos tempos. No dia anterior, esse rapaz saiu de Uberlândia e foi buscar seu Guiomar em Tupaciguara para leva-lo à Vazante. Antes das 9 horas já estavam na serra da Boa Vista para verem os bois e carreiros trabalharem. Para eles, o melhor local da festa era aquele, pois somente lá poderiam ver os bois fazendo força até passar o cume da serra e depois a decida. Seu Guiomar ficou emocionado ao ver alguns carros subirem, sendo tocados por carreiros experientes, e exclamou:
― Essa festa é muito boa, muito boa mesmo, porque tá demonstrando as coisas antigas, e me faz relembrar do meu passado e das coisas que o meu pai contava!

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